Iracema, José de Alencar
“A virgem dos lábios de mel”
Este artigo é um comentário feito por mim a respeito do Prólogo da primeira edição, da Carta ao Dr. Jaguaribe que estão presentes na obra literária Iracema de José de Alencar. Este comentário faz uma breve análise sobre esta obra e foi revisto pela Profª Ana Maria Roland da Universidade Católica de Brasília em 1999. Ela é professora de Sociologia da Arte.
“O romance conta, de forma poética, o amor quase impossível entre um branco, Martim Soares Moreno, pela bela índia Iracema, a virgem dos lábios de mel e de cabelos mais negros que a asa da graúna e explica poeticamente as origens da terra natal do autor, o Ceará.” (Wikipédia)
UNIVERSIDADE CATÓLICA DE BRASÍLIA
CURSO DE LETRAS PORTUGUÊS/LITERATURAS
DISCIPLINA: SOCIOLOGIA DA ARTE
PROFESSORA: ANA MARIA ROLAND
ALUNA: MARGARETE SANT’ANNA DE MACEDO
MATRÍCULA: 96/2732-4
SEMESTRE: OITAVO
BRASÍLIA 14 DE SETEMBRO DE 1999
ROTEIRO DE QUESTÕES SOBRE JOSÉ DE ALENCAR
COMENTAR O “PRÓLOGO DA 1ª EDIÇÃO DE IRACEMA” E A “ CARTA AO DR. JAGUARIBE” SITUANDO O AUTOR EM SEU MOMENTO HISTÓRICO E EXAMINANDO OS SEGUINTES ASPECTOS:
1º) O diálogo que Alencar estabelece com os escritores que o procederam;
2º) Os critérios que o escritor estabelece para a literatura brasileira e para a crítica literária.
INTRODUÇÃO
Em Iracema, de José de Alencar interagem o contexto histórico, a biografia (contexto vivido) e a própria obra numa recapitulação das contraditórias relações ao mesmo tempo de amor e crueldade, vinculo e violência entre colonizador e colônia. Esta interação foi muito bem exposta pelo autor no prólogo e na Carta ao Dr. Jaguaribe inseridos na própria obra acima citada.
PRÓLOGO DA 1ª EDIÇÃO
O prólogo da 1ª edição acaba sendo o prólogo de coisa alguma, pois, como o autor é avesso a eles, reservou os seus comentários mais profundos para o fim do livro. Na Carta ao Dr. Jaguaribe, esta aversão se dá, segundo Alencar, ao fato de que os prólogos “roubam as primícias do sabor literário”. Porém, Alencar escreveu este prólogo com o intuito de prevenir a surpresa e responder as observações dos críticos sobre seu livro que para alguns é estranho e para outros é novo.
O prólogo é uma conversa de Alencar com o amigo Dr. Jaguaribe. Contudo, esta conversa pode estar acontecendo entre o autor, e os escritores que o precederam (contemporâneos).
Nesta conversa, o escrito diz que o livro é cearense, pois o Ceará, sua terra natal, é o ambiente no qual ele se inspirou para criar o cenário da sua obra “Iracema”. Esta obra também deve trazer recordações desta pátria tão querida que deve servir de cenário no momento da leitura da obra. Disse Alencar: “Escrevi-o para ser lido lá, na varanda da casa rústica ou na fresca sombra do pomar, ao doce embalo da rede, entre os murmúrios do vento que crepita na areia, ou farfalha nas palmas dos coqueiros”. “Sentirá uma onda do mesmo aroma silvestre e bravio que lhe vem da várzea”. “Pitoresco sítio da várzea, no doce lar, a que povoa a numerosa prole, alegria e esperança do casal”. “Essa onda é a inspiração da pátria”, da nacionalidade. Ou seja, durante o movimento literário chamado de Romantismo, o escritor lutava pela criação de uma nacionalidade e língua literária mais próximos do cenário, costumes e falar brasileiros. Para isso, Alencar escolheu o linguajar indígena das tribos brasileiras. Exemplos: Mocoripe : morro de areia na enseada a uma légua de Fortaleza (Mo=fazer; coripe=alegrar; Mocoripe= fazer alguém aflito).
Além da “terra natal”, Alencar dedicou o seu romance ao “filho ausente”. Este filho ausente refere-se aos primeiros habitantes do Ceará (lenda da colonização) Martim (herói e bravo colonizador cearense), Iracema e o seu filho Moacir (filho de minha alma). Eles são os “antigos filhos”, “cearenses”, “patrícios”. Estas foram outras expressões pelas quais, Alencar, referiu-se ao filho ausente. Este filho também pode ser o próprio Alencar que se ausentou de sua terra natal, Mecejana – Ceará, para morar no Rio de Janeiro dedicando-se à advocacia, à pesquisa e ao jornalismo.
Em suma, o romance entre Martim e Iracema, nesse contexto, pode ser entendido como uma conversa entre Alencar e os que o precederam, isto é, os “contemporâneos”. Nesta conversa, há uma reivindicação poética da natureza, da vida e da memória do doloroso nascimento de Moacir, opostos à poesia. No texto, o romancista não esconde o seu desejo que seu romance seja bem recebido na terra dos seus, como estrangeiro e hóspede ao mesmo tempo.
CARTA AO DR. JAGUARIBE
Assim como o prólogo, esta carta está remetida a um tal de Dr. Jaguaribe, amigo, conterrâneo de Alencar e testemunha de seu trabalho. Este pode ser uma simples reflexão à margem do Rio Jaguaribe (da lenda do Ceará). Nesta carta, o romancista fala das pretensões da sua obra literária, Iracema, a ser um poema. Neste poema, Alencar, esboçou uma “heroida” cujo assunto abordado foram as tradições dos indígenas brasileiros e seus costumes “derramando um perfume sob as paixões de Martim e Iracema”. Para chegar a isso, o escritor se deleitou na leitura de crônicas, memórias antigas e biografia de Camarão (Poti), lendas e tradições cearenses sobre a colonização. Segundo o autor, é na fonte do conhecimento da língua indígena que deve beber o poeta brasileiro, então, saindo dela o verdadeiro poema nacional. A língua dos índios deve apresentar a “ rudez ingênua de pensamento e expressão”. Muito deste conhecimento da língua foi expresso nas notas de rodapé de Iracema como por exemplo a palavra mocoripe. Por esta razão, Alencar criticou Gonçalves Dias, pois, em seu poema “americano” os Timbiras, o escritor tratou do assunto usando uma linguagem clássica, civilizada e, portanto, não verossímil. Outro escritor também foi criticado por Alencar devido a não – verossimilhança. Ele foi o Dr. Bernardo Guimarães. Contudo, a crítica que mais polêmica trouxe foi a crítica sobre o poema A CONFEDERAÇÃO DOS TAMOIOS, de Gonçalves de Magalhães (1856). Outro critério criticado por Alencar foi o exagero de termos indígenas transformando um romance num mero apanhado de termos do linguajar indígena.
Durante a criação de seu romance, Alencar sentiu a necessidade de dar novos rumos à sua obra que, consoante ele, às vezes receava ser medíocre, vulgar, monótona e outras vezes bonita e dígna de luz. Estes novos rumos referem-se a flexibilidade de expressão, elasticidade da frase e experiência em prosa. No final da carta o escrito declara que seu romance apresenta defeitos que devem ser “escoimados” e, principalmente, descobertos pelos entendidos (críticos). Ele também declara que Iracema além de um ensaio de amostra é um romance impregnado das “ideias a respeito da literatura nacional” cuja poesia inteiramente brasileira está “haurida na língua dos selvagens”.
CONCLUSÃO
Lenda criada por Alencar, Iracema explica poeticamente as origens de sua terra natal. A “virgem dos lábios de mel” tornou-se símbolo do Ceará, e o filho, Moacir – nascido de seus amores com o colonizador branco Martim – representa o primeiro cearense, fruto da integração das duas raças.
VÍDEO
Créditos do Vídeo: http://g1.globo.com/







Olá Margarete
ResponderExcluirEm poucas páginas José de Alencar criou e eternizou uma história de amor. Sou Cearense e é verdade a ''Virgem dos lábios de mel '' tem várias coisas em sua homenagem.
Um Abraço